A primeira coisa de que eu me lembro foi daquela caixinha mágica chamada televisão que a minha mãe comprou. Foi um espectáculo. Vi tantos filmes fixes (Espaço 1999, Star Treck, Sandokan, Michel Strogof, Tarzan, Planeta dos Macacos, Heidi, Lassie, Pequenos Vagabundos, Os cinco, Galáctica, Super Mulher, Jackie, As viagens de Gulliver, Gabriela, Escrava Isaura, Bonanza, Assalto ao Castelo, Gente do Amanhã, O regador Mágico, Bana e Flapi, Robin dos Bosques, o programa “Animação” com Vasco Granja que infelizmente já faleceu), Fábulas da floresta verde e, bem… acho que nunca mais sairia daqui hoje, porque são tantas as memórias que guardo dessa época. Eu e os meus amigos gostávamos muito de copiar os nossos heróis da televisão, tentando viver as suas aventuras. Um dia, estava eu ainda na minha cama, quando apareceram três dos meus amigos (o Paulo, o Zé francês, e o Rique), dizendo que encontraram armas e máscaras de oxigénio numa zona montanhosa e eu levantei-me logo da cama e fui ver se era realmente verdade e verifiquei que eram mesmo máscaras velhas dos bombeiros, mas não tinha nenhuma arma, era tudo brincadeira. Um dia, juntámo-nos todos e fomos para o monte fazer cabanas e imitar o Robin dos Bosques. É por isso, que ainda hoje gosto muito de ver as aventuras de Tom Sawyer, um personagem que me fascina e que me faz lembrar todas as minhas brincadeiras de infância. A minha aldeia tinha tudo para se viver em paz e harmonias entre todos, no entanto, de vez em quando, aconteciam lá alguns “sururus” (guerrinhas entre as mulheres principalmente), e que “alegrava” a comunidade. Quando não era com nós, achávamos divertido, pois as mulheres falavam muito mal e insultavam-se umas às outras, mas quando era com alguém da nossa família, a situação era vista de maneira diferente.
Durante o verão, ia quase todos os dias para um rio que havia perto de minha casa, mas sem a minha mãe saber, senão…ai ai.

